Resenha do filme “Uma canção para ela”: como não correr atrás do vento

Ellen CostaWritten by: Cinema Destaque Reflexões à luz Resenha de Filmes

Lançado em 2014, o filme “Uma canção para ela” (“The Song”, no original) conta a história de vida e a trajetória profissional do cantor Jed King (Alan Powell), filho do famoso cantor David King. Por ter tido um pai com carreira consolidada, o jovem Jed cresceu à sombra do sucesso de seu progenitor, encontrando muitas dificuldades para traçar sua própria história musical.

Ao ser enviado para se apresentar em um evento de vinhos, numa cidade pequena, ele conhece Rose Jordan (Ali Faulkner), a filha do dono do vinhedo, responsável pelo local.

O amor parece surgir à primeira vista.

O relacionamento dos dois vai se formando como um romance daqueles que estamos acostumados a ver em tantos outros filmes, mas não se atém a um clichê romântico sobre amor.

Em paralelo à realização pessoal que começa a se projetar com o matrimônio selado, Jed continua travando sua batalha musical, vivendo altos e baixos até achar o rumo. Mas parece que o amor era o que faltava como inspiração à sua música.

Jed e Rose

Ao emplacar uma bela canção sobre o amor à sua amada, o músico finalmente prova que a bela voz herdada do pai não era o seu único grande destaque. Logo, sua carreira explode.

Apesar do apoio de Rose, a fama e o sucesso cobram seu preço! E pouco tempo depois somos postos diante do conflito da trama.

Inspirado em Cânticos de Salomão, o homem mais sábio da literatura cristã, e amparado por uma narrativa em off (do próprio Jed), com citações expressas do contexto bíblico sobre sabedoria, escolhas erradas, erros e reflexões necessárias à vida, o filme não economiza em expor as mazelas, a insensatez e a vaidade humana desenfreadas. Nem alivia no quanto as decisões equivocadas, baseadas na falta de princípios definidos, pode colocar tudo a perder por alguns “15 minutos” de fama.

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A derrocada

A ganância do empresário de Jed – sempre fechando novas e longas turnês – o afastam cada vez mais da família. E para piorar a equação, as investidas de sua nova colega de banda o colocam em constante alerta e tentação.

Shelby Bale e Jed King no palco durante show

O protagonista vivencia prestígio e conquistas, shows lotados e fãs enlouquecidas, e na outra ponta, também colhe as consequências desastrosas de seus atos.

As tentações do mundo da música passam a rondar seu casamento, colocando em evidência o quanto o relacionamento a dois pode trazer dificuldades pela falta de diálogo, crenças e sonhos em comum.

Como o marido está sempre viajando em turnês, Rose se sente cansada e solitária, afinal, cuida das tarefas da casa e da educação do filho de cinco anos praticamente sozinha. Ainda ajuda o pai com as demandas do vinhedo e os cuidados de sua saúde.

Jed, por outro lado, sente falta de estar em casa e de ver os olhos da esposa também brilharem por ele, assim como experimenta com desconhecidas. Quando volta ao lar, o que mais deseja é desfrutar dos prazeres a dois e dispensar os problemas da vida cotidiana. Os conflitos começam a surgir.

Em uma das discussões do casal, ele diz que “se quisesse apenas prazer, teria como conseguir por onde passa” e a acusa de ser negligente em suas necessidades de homem. Ela, por outro lado, argumenta que eles “mal conversam”, e que o marido está sempre ausente, e quando presente, não a trata com a atenção necessária.

Os dos lados clamam por necessidades legítimas de gênero.

Ela cobra sua participação na vida comum. Ele, sua compreensão e incentivo na carreira profissional. Ela diz que o filho precisa do pai como referência e “não de mais dinheiro”, ele deseja que ela largue tudo e o acompanhe em sua jornada musical.

As canções e reflexões

Regado a belíssima e envolventes músicas – canção para ouvidos sensíveis e apaixonados – esta história tem como tema principal a insensatez do ser humano, que muitas vezes, seduzido pelas paixões da vida, coloca a perder coisas que são (ou deveriam) ser prioridades.

Decisões impensadas e movidos por desejos efêmeros têm prazo de validade. E as mágoas surgem.

Em um determinado momento, a culpa que Jed carrega o bloqueia a ponto de não conseguir mais cantar a música composta para Rose. Isso culmina em mais decadência musical, moral e afundamento nos vícios.

Confira o trailer:

“The Song” é um filme cristão com pilares bem alicerçados que pode ser interessante e reflexivo mesmo para o público não-cristão, afinal, a narrativa audiovisual traz valores universais à nossa cultura humana e social.

Assim como o Rei Salomão, que quando alcançou o ápice de seu poder e glória, chegou à conclusão de que tudo que fez “foi tão somente correr atrás do vento”, será que Jed e Rose vão conseguir reformular o curso de sua história antes que seja tarde demais?

Confira a música que deu nome ao filme (a canção que Jed compôs para Rose):

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Tags:, , , , , , , Last modified: agosto 10, 2021
Ellen Costa

Ellen Costa é jornalista e escritora. Apaixonada por ouvir e contar histórias. Autora dos livros "Baque: você tem coragem de descobrir a verdade?" e "Crônicas da vida real", ambos disponível em e-book na Amazon. Idealizadora do Arte de Escrever. Instagram @ellencostaescritora