2026 acaba de começar e pode ser que você já esteja correndo para dar conta de tantos projetos, demandas e trabalho. Certo?
Se for isso mesmo, comecemos o ano pensando um pouco sobre o preço que se paga por viver sempre correndo. Apressado e atarefado (e aqui quem escreve é uma workaholic em remissão rs).
Li recentemente uma notícia da Exame falando que a empresa FedEx está encerrando seus serviços de entregas dentro do Brasil.
Inevitavelmente, lembrei-me do filme Náufrago, de 2000, do diretor Robert Zemeckis (de quem gosto muito).
Você deve se lembrar da premissa: Chuck Noland (Tom Hanks) é um profissional completamente dedicado ao trabalho na FedEx, obcecado por eficiência, prazos e desempenho.
Às vésperas do Natal — o período mais agitado do ano —, ele tenta, literalmente, vencer o relógio.
Chuck é um workaholic. Mas o filme não o retrata como alguém frio ou vazio. Pelo contrário: ele é sociável, extrovertido, ocupa um cargo de liderança que exige boa comunicação.
Contudo, ele vive no modo “entrega urgente”.
Soa familiar?
Mesmo que você ainda não tenha visto o filme, depois de quase 26 anos desde seu lançamento, assisti-lo agora (neste início de ano) será algo válido. Aliás, arrisco-me a dizer que ele é (e ainda será por muito tempo), um filme BEM ATUAL.
Ou você discorda de que estamos sempre correndo? Mesmo quando não é assim, tão necessário?
Após pedir a namorada em casamento, Chuck se despede da noiva no aeroporto com uma frase simples e cheia de certeza: “Volto antes do Ano Novo.”
Mas a vida prega uma peça terrível. O avião sofre um acidente em meio a uma tempestade e Chuck é o único sobrevivente. E passa quatro anos isolado em uma ilha.
Quatro anos.
O homem que vivia correndo contra o tempo é forçado a viver fora dele. Parece irônico, não?
A solidão como ruptura — e aprendizado
Nos primeiros dias, tudo vira desafio. Abrir um coco. Conseguir água. Fazer fogo. Quando finalmente consegue acender uma fogueira, Chuck dança e vibra como uma criança que ganhou um doce.
Ali, longe de metas, reuniões e cronogramas, ele aprende algo fundamental:
nós somos capazes de nos adaptar. A gente se vira. De um jeito ou de outro!
Ali não há performance (porque não há público), apenas sobrevivência. Todas as habilidades que ele desenvolve nascem da solidão, da necessidade e do silêncio.
Paralelo a isso, Wilson, a bola de vôlei, surge como símbolo da nossa necessidade básica de vínculo emocional. Não é um ser humano, mas é o que existe disponível. É o possível. E, em momentos extremos, o possível sustenta.
Já o pacote da FedEx — nunca aberto pelo protagonista — representa algo ainda maior: propósito e esperança.
Ter um plano, mesmo quando tudo parece suspenso, é o parece manter Chuck vivo.
Leia outros textos de Ellen Costa:
– Um filme sobre a vida (ou sobre ela passando diante de nossos olhos…)
– Algumas lutas são solitárias: resenha do filme “Sequestros de Cleveland”
– Uma canção para ela: “Como não correr atrás do vento”
O difícil retorno: quando a vida muda sem pedir permissão
Ao retornar à civilização, Chuck não encontra o mundo que deixou. A vida seguiu. Pessoas mudaram. Relações se transformaram. Ele aprendeu muito sobre si, mas pagou um preço alto: perdeu o lugar que ocupava antes.
E aqui está uma das grandes lições do filme: não dá para apertar “pause” na vida (pessoal ou profissional) esperando que tudo esteja exatamente onde deixamos. Ou como deixamos.
Náufrago, para mim, não é apenas um filme sobre sobrevivência. É uma metáfora sobre tempo, escolhas e sentido. Talvez a grande mensagem seja esta: precisamos de planos, sim. Mas também precisamos de pausa.
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Tags:filme, Náufrago, Robert Zemeckis, Tom Hanks, workaholic Last modified: 13 de janeiro de 2026