23/05/2013 14:08 - Atualizado em 26/06/2013 16:05

Peripécias da língua

A crase e o novo acordo ortogrfico: saiba como e quando usar

Muitas pessoas ainda fazem confusão, mas identificar a necessidade de fundir os 'as' é mais simples do que parece

Iveilyze Oliveira
Iveilyze Oliveira
Arte de Escrever
O novo acordo ortográfico pouco alterou o uso da crase (Foto: Reprodução Google)

O novo Acordo Ortográfico da língua portuguesa entrou em vigor no ano de 2009, mas pouco alterou o emprego do acento grave (acento indicador de crase).

Atualmente o português é língua oficial de oito países (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Timor Leste). Apesar da incorporação de vocábulos nativos e de modificações gramaticais e de pronúncia próprias de cada país, as línguas mantêm uma unidade com o português de Portugal.

Crase é uma palavra que em grego significa fusão. É justamente a união de duas vogais idênticas. Essa união é representada graficamente pelo acento grave. Vamos recordar e saber identificar situações em que a crase deve ou não ser empregada.

Em situações de lugares
 troque o destino pela procedência. Se nesta troca aparecer a preposição "da", ocorrerá crase. Fui a Brasília buscar uns documentos. Sem crase, pois na troca (venho de Brasília) não aparece a preposição "da". Fui à Itália durante alguns dias da minha lua-de-mel. Com crase, pois na troca (venho da Itália) aparece a preposição "da".

Em palavras masculinas
 não ocorre crase (a serviço, a cavalo etc), porém, se estiver subentendida as expressões "à maneira de ou à moda de", ocorrerá crase. Sempre assisto a peças teatrais à Machado de Assis.

Se o "a" estiver no singular e a próxima palavra estiver no plural, não ocorrerá crase. A palestra foi muito útil a pessoas que procuram retornar ao mercado de trabalho. Neste caso, poderíamos escrever "às pessoas", porém, jamais escreveríamos "à pessoas".

Não há crase diante de palavras repetidas. Gota a gota, cara a cara, dia a dia etc.

Não há crase antes de verbo no infinitivo. A seguir, ouviremos a leitura da ata desta reunião. No caso, nunca escreveríamos "à seguir”, pois o verbo seguir está no infinitivo.

Emprega-se crase diante dos pronomes aquele (a), aqueles (as) e aquilo quando houver fusão de dois "as". Eles chegaram atrasados àquele lugar porque o trânsito estava congestionado. No caso, houve dois "as", pois quem chega atrasado, chega atrasado a algum lugar, ou seja, houve junção da preposição "a" com o pronome "aquele".

Já com a palavra distância, observe se há formação da locução "à distância de", se assim houver, use crase. Dias destes, identifiquei minha colega de sala à distância de uns 200 metros, aproximadamente.

Com a palavra casa, considera-se se há ou não especificação, se tiver, terá emprego de crase. Sempre retorno a casa de todos. Quem são esses todos? Logo, não há especificação, portanto, não haverá crase. Visitarei à casa de Pedro na próxima semana, pois iniciarei minhas férias. No caso, a casa a ser visitada foi especificada, portanto, há emprego do acento indicador de crase.

Semelhantemente ocorre com a palavra terra, pois quando Terra for planeta portará acento grave, e quando se referir a chão, só terá crase se houver especificação. O retorno dos astronautas à Terra foi um verdadeiro sucesso. No caso, Terra refere-se ao planeta. O meu retorno à casa de meus pais foi motivo de grande alegria para todos os presentes naquela ocasião. No caso, houve especificação da casa que recebeu o retorno de alguém. Depois de um lindo Cruzeiro Marítimo, nós estávamos ansiosos pelo retorno a terra. No caso, terra significa chão firme e não há especificação.

Fique atento, pois sempre ocorre crase nos casos a seguir: às duas horas; à tarde; à direita; à esquerda; às vezes; às pressas; à frente; à medida, à vontade, à disposição, à moda de, à maneira de etc.

Até a próxima! (sem crase!)  

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