01/01/2018 16:28 - Atualizado em 08/01/2018 10:48

Resenha

"O sol é para todos" fala sobre tolerância, perda da inocência e confronto de injustiças

Jucelene Oliveira
Jucelene Oliveira
Arte de Escrever
Capa do livro com título em inglês. (Foto: Jucelene Oliveira)

“O sol é para todos” (título original To Kill a Mockingbird) foi o primeiro e maior grande sucesso da escritora norteamericana Harper Lee (1926-2016). Considerado uma obra-prima do século 20 por seu retrato da injustiça racial na era da depressão no sul dos Estados Unidos, foi lançado em 1960 e até hoje vende mais de um milhão de cópias por ano em língua inglesa.

É uma história atemporal que fala sobre tolerância, perda da inocência e confronto de injustiças raciais e sociais. O livro se tornou um dos mais importantes romances do século XX e é leitura referencial e obrigatória nas escolas dos Estados Unidos. O racismo percorre toda a narrativa. A autora foi muito delicada ao escolher contar essa história pelo olhar de uma criança de seis anos, a Scout, filha do advogado branco Atticus Finch, responsável pela defesa de um homem negro acusado injustamente de violentar uma moça branca da cidade fictícia Maycomb, no Alabama.

Trecho do livro em que Jem faz uma descrição de Boo. (Foto: Jucelene Oliveira)

Mas para quem pensa que o livro se passa dentro de um tribunal, não é bem assim. O julgamento do negro Tom Robinson acontece apenas na segunda parte da narrativa. Nos primeiros capítulos vamos acompanhar as aventuras, travessuras e brincadeiras de Scout, seu irmão Jen, de dez anos, e do novo amigo Dill, que vem passar as férias em Maycomb e se junta à dupla.

Próximo à casa de Scout mora um rapaz solitário e recluso chamado Boo Radley, que não nunca sai de casa, que se quer aparece na janela. Por conta de sua discrição e timidez, as crianças têm muita curiosidade em descobrir porquê ele se esconde. Elas acreditam que ele seja um maníaco ou pessoa misteriosa capaz de fazer mal aos outros. Mesmo tendo medo, vivem rodeando a casa do jovem, espreitando pela cerca e janela na tentativa de ver ou descobrir alguma coisa.

As crianças e Calpúrnia, a empregada da família. (Foto: Internet)

É importante destacar que o advogado Atticus Finch é uma figura paterna forte. Viúvo há alguns anos, ele cria os filhos com a ajuda de uma empregada/cozinheira negra chamada Calpúrnia, que é rígida e assume o papel de mãe das crianças dando broncas e educando-as dentro de suas possibilidades e limitações. Além disso, Atticus é muito respeitado na cidade e na vizinhança por ser um homem íntegro e um advogado renomado.

O livro vendeu aproximadamente 30 milhões de cópias no mundo todo e venceu o Pulitzer em 1961, prêmio norteamericano que é dado a pessoas que realizem trabalhos de excelência na área do jornalismo, literatura e composição musical. 

Livro lançado em 2015. (Foto: Internet)

"O sol é para todos" também inspirou um longa-metragem lançado dois anos depois, em 1962, dirigido por Robert Mulligan e estrelado por Gregory Peck. Produzido em preto e branco e com duração de duas horas, ele alcançou grande sucesso. Foi indicado a oito estatuetas do Oscar, entre elas por melhor fotografia PB (que é belíssima no filme), melhor direção e trilha sonora, levando três prêmios: melhor ator para Gregory Peck, que interpretou Atticus Finch; melhor roteiro adaptado e melhor direção de arte.

Em 2015, "Vá, coloque um vigia", o segundo livro da autora Harper Lee, teve a maior pré-venda dos EUA desde "Harry Potter", com 1,6 milhão de exemplares vendidos em papel. Editado pela editora Harper Collins, põe em cena, 20 anos mais tarde, os mesmos personagens do primeiro livro.

Em fevereiro de 2016, Harper Lee nos deixou aos 89 anos. Ela morava em uma casa de repouso em sua cidade natal no Alabama e sofria de deficiências visuais e auditivas.

Deseja ser um colaborador do Portal? Escreva para contato@artedeescrever.com.br e saiba como.

Comentários

Relacionadas

Publicidade

Facebook