11/03/2013 18:02 - Atualizado em 23/02/2016 22:57

Especial

Shrek propôs a desconstrução dos clássicos da Disney

Shrek veio para subverter a ordem e mostrar que os contos infantis podem até ter um final feliz, mas com personagens incomuns e desprovidos de beleza

Jucelene Oliveira
Jucelene Oliveira
Arte de Escrever
Fiona e Shrek durante um momento romântico: quando estão se apaixonando

Os contos de fadas são uma variação do conto popular, caracterizados por uma narrativa curta, transmitida oralmente, em que o herói enfrenta grandes obstáculos para no final triunfar contra o mal e dar exemplo de perseverança. Para o público que cresceu assistindo aos contos dos estúdios Disney, cujas histórias trazem doses de esperança, confiança e magia, o conhecido filme de animação, Shrek, veio para subverter a ordem e propor uma nova discussão.

O filme conta a história de um ogro verde, feio, gordo e descompassado que precisa libertar uma princesa mantida em cativeiro num castelo e fazê-la casar-se com um nobre (familiar, né?). De forma irreverente, o filme começa como se narrasse um conto infantil: “Era uma vez uma linda princesa. Mas havia um terrível feitiço sobre ela que só poderia ser quebrado pelo primeiro beijo de amor. Ela esperou sob a guarda do dragão no quarto mais alto, da torre mais alta, por seu verdadeiro amor e pelo primeiro beijo de seu verdadeiro amor”. 

A narrativa é interrompida por Shrek com a frase: “Ah, como se isso fosse acontecer, que monte de...”. Em seguida a folha do livro é rasgada e ouve-se um barulho de uma descarga. A desconstrução logo começa: o ogro se olha no espelho e o espelho quebra; ao tomar banho no pântano, ele manifesta gases intestinais; em seguida observa que um peixinho morreu e faz uma cara triste, levemente engraçada. 

Numa feira promovida por ordem de Lord Farquaq, autoridade máxima do lugar, os moradores do povoado “vendem” alguns pertences, tais como animais, brinquedos e uma infinidade de objetos. Na enorme fila, um personagem clássico conhecido está sendo vendido: o boneco Pinóquio. O brinquedo diz que não é um boneco e, sim, um menino de verdade. Nesse instante, seu nariz cresce, denunciando a mentira. 

Há também uma senhora que está tentando vender seu burro falante. A velha insiste para que o burro fale, mas ele faz greve de silêncio, causando irritação no guarda. Na confusão gerada, um pó mágico cai sobre o burro, que imediatamente começa a voar. O próprio animal espanta-se ao voar e diz “Agora eu sou um burro voador”. 

Shrek e outros personagens da animação

Quando o encanto do pó mágico passa, os oficiais correm na direção do animal, para pegá-lo. Ele foge para a floresta e esbarra em Shrek, tornando-se a partir daí seu melhor amigo. O cavalo alazão do clássico Disney é substituído por um burro falante e irritante, que encanta o público.

Outros risos são arrancados no momento em que Shrek entra no castelo. Ao aproximar-se da cama de Fiona, lhe dá um enorme chacoalhão, de forma indelicada. A princesa demonstra indignação e diz: “Espere, nobre cavaleiro! Encontramo-nos finalmente. Não deveria este ser um momento maravilhoso, romântico!? No desespero da fuga, Fiona sugere que Shrek pelo menos lhe recite um poema épico.

O filme Shrek (Dream Works, 2001) venceu o primeiro Oscar para filmes de animação em 2002 e, por sua criatividade, inovação e paródias continua despertando risos em crianças e adultos no Brasil inteiro.

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