20/05/2013 13:36 - Atualizado em 10/06/2013 15:13

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'Os Ninjas' - curta brasileiro choca pela violência e ousadia

Em crise após matar uma criança inocente durante ação na favela, policial militar é introduzido ao grupo de extermínio que se dedica a eliminar sadicamente suspeitos de crimes violentos

Jucelene Oliveira
Jucelene Oliveira
Arte de Escrever
Importante cena do filme - reveladora do resultado da ação

O curta “Os Ninjas”, ficção-terror, 2009, 15 minutos, de Dennison Ramalho, choca pela violência humana, mas faz um convite à reflexão – nem sempre fácil - do sentimento de culpa ou responsabilidade que é capaz de desnortear uma pessoa que a carrega e não sabe como lidar.

A produção narra a história de um policial militar pobre e comum como tantos outros que circulam em São Paulo, morador de uma casa humilde na favela e responsável pelo sustento da esposa e de dois filhos. O protagonista é atormentado dia e noite pela lembrança da morte acidental de uma criança numa investida da polícia à favela, à procura de traficantes.

O crime acidental gera um desconforto imenso ao policial, que é encoberto por outro colega de profissão, o qual forja a cena do crime - colocando a arma na mão do garoto e simulando um embate da criança à ação policial.

O desespero do policial começa nas noites seguintes. Sempre que vai dormir, o policial é aterrorizado em sonho pelo garoto ensanguentado. Quando acordado, o vê em todos os lugares da casa e arredores. Essa situação começa a afetar sua rotina de vida e trabalho, deixando sua família confusa sobre o que está acontecendo. Na intenção de encontrar ajuda para esse tormento, o protagonista procura uma igreja evangélica e se derrama diante da fé, buscando consolo e redenção.

Diretor do curta, Dennison Ramalho

Apesar de seu empenho religioso, não consegue encontrar o perdão que precisa. Nos dias seguintes é levado pelos colegas da corporação para uma espécie de “batismo de fogo”. Ele é introduzido na unidade dos "Ninjas" - grupo de extermínio que se dedica a eliminar sadicamente suspeitos de crimes violentos. 

O policial líder do grupo trabalha na mentalidade do colega que “policial não tem medo de bandido e nem de alma penada” e que será positivo a ele ser introduzido no teste de “choque” que se realizará logo depois.

O que acontece desse momento em diante é chocante aos olhos do telespectador.

Numa ação violenta e covarde, os policiais mascarados como bandidos invadem um bar na periferia e abordam um casal suspeito, o qual será cruel e friamente torturado.

Numa referência ao sacrifício de Jesus Cristo na cruz, o suposto bandido é também pregado ao madeiro. Tudo diante dos olhos esbugalhados e desesperados do protagonista, que pede clemência pelos dois e está acovardado e impotente à ação. O grupo pratica um verdadeiro ritual de sadismo. Naquela situação, ele vê diante de seus olhos toda a capacidade humana da maldade e da injustiça, não podendo mais substimá-las. A redenção que lhe é exposta ali é pelo uso demasiado da violência. 

O curta parece longo diante dos gritos de dor e desespero do casal torturado, ambos nus diante dos agressores. O resultado daquela ação poderá ser conferido nos momentos finais do filme.

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