30/04/2013 16:41 - Atualizado em 04/05/2013 16:52

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dolo Instantneo: pegue j o seu!

Tão breve quanto a produção do ídolo, seu esquecimento também acontece de forma instantânea

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Arte de Escrever
Os Realitys Shows são um bom exemplo de ídolos fabricados

Desde muito jovens procuramos referências. São por meio delas que nossa personalidade é moldada. Geralmente nosso primeiro modelo é alguém próximo, como pai, mãe e tios. Ao crescer, começamos a buscar referências externas e a cultuar artistas e cantores. Alguns os têm como fonte de inspiração; outros, no entanto, os veneram como deuses. Mas nada se compara à explosão de “ídolos” que se vê hoje em dia.

Todos querem ser ídolos e passar da condição de tiete à de objeto de adoração. Porém o que mais chama a atenção nesse processo é que, se antes era necessário talento e carisma, atualmente a mínima qualidade basta ou até a ausência dela. O talento foi substituído pela fama instantânea de realitys shows que procuram uma estrela em meio à multidão, assim prometem programas como The Voice Brasil e Ídolos. Fórmulas idênticas para objetivo semelhante: seja em busca de atores que cantem ou cantores que atuem. O resultado será mais um ídolo instantâneo de rosto bonitinho.

O glamour que os envolve se tornou tão mágico aos olhos dos fãs que já não é suficiente admirar, é preciso fazer parte, chegar perto. E participar desses programas que facilitem o acesso ao mundo mágico das celebridades é a oportunidade que muitos precisam. Não é necessário durar muito, apenas o suficiente para conquistar 15 minutos de fama e algum conforto financeiro. Sim, porque o importante é ter dinheiro. Ser famoso e ter prestígio representa, além de status social, ascensão financeira. Diante de uma realidade cruel, em que é necessária toda uma vida de trabalho para se ter algum conforto, ser famoso é a saída.

Antes, ídolos surgiam quando menos se esperava e suas atitudes influenciavam o comportamento da juventude. Elvis Presley e Beatles são bons exemplos. Ser ídolo pressupõe talento, admiração, respeito e, só então, veneração. Não se pode dizer que basta estar na mídia para ser ídolo. Mesmo porque ídolos de verdade nunca morrem. Eles não dependem da evidência para serem reconhecidos. Suas ideias continuam e o que realizaram também. Essa é a diferença.

Viver numa era em que tudo é muito rápido, acaba deixando as pessoas menos criteriosas para aceitar alguém como ídolo. É tudo instantâneo, e de hoje para amanhã surgem tantos quantos desaparecem. O amor dos fãs é na mesma medida volúvel: morre assim que a imagem do ídolo se vai.

Assim, a legião de ídolos pré-fabricados só aumenta. Atrás dela vão cegos de paixão, seguidores que têm cada vez mais objetos de adoração e menos personalidades para admirarem.

A Colaboradora do Portal, Aretha Lima, é Gerente de Contas de uma empresa de informática. Jornalista por formação, escreve por hobby. Apaixonada por ballet clássico, adora viajar e estar com os amigos. As vezes é racional, mas para ela o que conta mesmo é o coração. Tem força pra lutar, fé para vencer e coragem para viver. Escreve o que lhe toca a alma.

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