02/02/2018 00:00 - Atualizado em 26/10/2017 23:44

Agenda cultural

Exposição "Mulheres de Pedra" pode ser conferida na Unibes Cultural até fevereiro

Depois de Salvador, chega a São Paulo retratos de cortadeiras de pedra da Chapada Diamantina.

Jucelene Oliveira
Jucelene Oliveira
Arte de Escrever
A mostra propõe uma narrativa moderna e atual do universo feminino (Foto: Alexandre Augusto)

São Paulo é uma cidade incrível, certo? Toda semana a página do Catraca Livre solta inúmeras opções culturais, gastronômicas, esportivas e de lazer na Terra da Garoa. 

Mas às vezes é necessário pegar o carro, sair da rotina e conhecer um lugar novo para fugir um pouco da selva de pedra.

O problema é que com a correria do dia a dia nem sempre dá para planejar uma viagem legal. E, além disso, existem tantos destinos interessantes que não é raro um viajante ficar em dúvida para onde ir.

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A mostra propõe uma narrativa moderna e atual do universo feminino (Foto: Alexandre Augusto)

Trabalhadoras do campo existem aos milhares no Brasil. Na Chapada Diamantina, mais precisamente em Itatim e Itaetê, municípios que visitou nos dois últimos anos, o jornalista e escritor, e agora fotógrafo, Alexandre Augusto conheceu mulheres que quebram blocos de pedras gigantes e ganham o sustento da casa em troca de R$ 55 a cada mil paralelepípedos talhados.

A intimidade e convivência geraram a exposição “Mulheres de Pedra”, que foi apresentada no Teatro Gregório de Mattos, em Salvador, onde alcançou grande sucesso de público e crítica, e agora chega a São Paulo, na Unibes Cultural.

Em São Paulo, a exposição acontece de 7 de novembro a 2 de fevereiro de 2018.

A mostra propõe uma narrativa moderna e atual do universo feminino (Foto: Alexandre Augusto)

A mostra propõe uma narrativa moderna e atual do universo feminino, fugindo dos estereótipos ou mesmo da vitimização, apresentando mais do que a realidade das mulheres cortadoras de pedra da região da Chapada. Coloca-nos diante de algo que não está apenas nas pedreiras de Itatim e Itaetê, está na grandeza do feminino.

“Achei as fotos lindas, de uma força muito grande. Mostram uma realidade muito dura, mas conseguem retratar também a dignidade e a beleza dessas mulheres”, disse o holandês Jeroen Laidlaw ao visitar a exposição, que recebeu também estudantes da rede municipal de ensino.

Diversas turmas de crianças de escolas públicas da região conferiram de perto o trabalho. “Esse público infantil é o que me deixa mais feliz”, destaca Alexandre Augusto.

“Mulheres de Pedra” reúne 22 fotos em cor – três em formato de painel 2,5 por 1,6 m e algumas em formato de caixas – de cidadãs unidas por um sentimento: dignidade. Octogenárias como Dona Umbelina, que posou para a câmera, herdou o ofício dos pais, e o seu semblante é pura altivez. Os homens, que exercem o trabalho braçal de carregar as rochas nas pedreiras da região, também estão lá.

Alexandre conta que numa pesquisa sobre o tema na internet, deparou-se com o quadro “Stone Worker”, de Diego Rivera. Uma pintura feita em 1943 de um operário esculpindo um bloco de pedra. Do mesmo jeito e com as mesmas ferramentas usadas ainda hoje, mais de 70 anos depois. A inspiração lhe rendeu uma imagem que o público verá ao vivo.

A mostra propõe uma narrativa moderna e atual do universo feminino (Foto: Alexandre Augusto)

Sobre o estalo para a exposição, ele diz: “Meu primeiro sentimento foi achar aquilo tudo uma exploração. Foi quando uma das senhoras mais velhas da pedreira me disse: ‘Moço, meu pai foi cortador de pedras e eu faço isso desde menina. Agradeço a Deus todos os dias pela pedra. Foi com a pedra que criei meus filhos. É com a pedra que hoje eles criam meus netos’”.

E prosseguiu: “As mulheres da Chapada trabalham de sol a sol para botar comida na mesa. Mesa que de noite elas vão arrumar para os maridos e filhos. É isso que quero mostrar com as minhas fotos. Foi isso que os meus olhos viram. A dignidade dessas mães, esposas e filhas. ‘Mulheres de Pedra’ tanto no sentido mais literal quanto no mais poético. Força, beleza, aridez, delicadeza… tudo junto”.

Em “Mulheres de Pedra”, os visitantes serão convocados a fazer uma trilha visual por cidades perdidas no meio do nada. Chuva não cai e as cores no cinza quem dá são as mulheres com camisas enroladas no rosto e no pescoço, esmaltes nos pés descobertos e combinações de roupas que soariam fashion em qualquer editorial de moda mais despojado. As crianças e os homens compõem a cena porque fazem parte da família. Assim como a casa, com seus quartos, mosquiteiros e altares revestidos de imagens de santos e Yemanjá. E o público poderá interagir com uma instalação feita de pedras retiradas do local e ouvir sons captados do ambiente como o talhar de pedras e o barulho dos rios.

A mostra propõe uma narrativa moderna e atual do universo feminino (Foto: Alexandre Augusto)

A exposição “Mulheres de Pedra” é dedicada à avó de Alexandre. “A mulher mais forte que conheci. Sertaneja que morou numa colônia rural do Incra, na cidade de Santa Brígida, nos anos 60. Teve de ficar quase uma década morando longe dos filhos. Lembrei dela muitas vezes durante esse projeto. As mulheres têm importância extrema na minha vida. Além da minha avó, tenho o exemplo da minha mãe. Viúva que criou os cinco filhos sozinha. Ela foi mãe, pai, chefe de família. É mais uma mulher de pedra na minha vida”.

O texto de apresentação da mostra ficou a cargo da jornalista, escritora e atual curadora da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), Joselia Aguiar.

Serviço
Exposição: de 7 de novembro a 9/2/2018 (pausa entre 18/12/2017 e 14/1/2018)
Unibes Cultural
Rua Oscar Freire, 2.500 – Sumaré, São Paulo – SP, 01426-001
Telefone: (11) 3065-4333

A mostra propõe uma narrativa moderna e atual do universo feminino (Foto: Alexandre Augusto)

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