Casa da Saudade

Deixei a porta da lembrança aberta, juntamente com o estrondoso silêncio que a tua falta me faz.

Os corredores não estão mais cálidos, estão a experimentar a ausência amarga e fria.
Percorrendo sozinho estou, fitando o horizonte e aqui sentando no nosso sofá que deslumbrava nossas carícias e gargalhadas, que percorria pelos dias, retratos vazios caídos ao chão. Alguns empoeirados estão, não escuto mais aquela canção que ao teu lado desfilava amor sobre mim. Agora a saudade toma a passarela.

Na cozinha não há mais o aroma e o sabor da tua presença, o se deliciar está somente na memória de um eterno amante que anseia a volta ao tempo.

Nosso quarto está arrumado, nunca mais estará bagunçado onde entrelaçados nos amávamos entre suspiros e gemidos e declarações corpórea de amor.
Declarações que gerou vidas que estão a percorrer a imensidão do mundo.

Nossos banhos aonde as gotas d’água percorriam nossos corpos e presenciavam entre abraços e sorrisos dois amantes.

A garagem está vazia. Somente o vento sopra trazendo as folhas a levantar as lembranças de viagens, que percorrendo as estradas e lugares me deparava com a limpidez do teu olhar que brotava um terno sorriso e tudo se faz eterno hoje em mim.

Lágrimas escorrem pelo meu rosto, assim como o tempo a trilhar na vida dos amantes.
Feche a porta e as janelas da casa da saudade, ficarei por aqui deitado ao chão com uma foto e você como bordão em minha mente, anunciando ao tempo que também quero partir.

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