Oscar 2019: confira a lista completa dos vencedores

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Bohemian Rhapsody, Pantera Negra e Roma se consagraram como os maiores vencedores da noite.

A história dos Oscar é rica em erros históricos. Stanley Kubrick perdendo melhor direção por “Laranja Mecânica” para William Friedkin, Hitchcock perdendo por “Um Corpo Que Cai” para o musical “Gigi”, “O Resgate do Soldado Ryan”, de Spielberg, perdendo para um filme do diretor John Madden; e Fernanda Montenegro em “Central do Brasil” perdendo para Gwyneth Paltrow de “Shakespeare Apaixonado”.

Mas há um consenso de que o maior do “micos” que a academia já pagou foi ter dado o Oscar de melhor filme a “Crash”, há 14 anos. Escândalo consumado, correu-se atrás para que não se repetisse o problema. De fato ele parecia impossível de acontecer. Até a última madrugada, quando “Green Book” entrou para a história como o pior filme premiado desde Crash.

Mas a história faz justiça. Se, na época, “Crash” contava com defensores, como há os de “Green Book”, o tempo revela o valor de um filme. Hoje ninguém mais lembra de “Gigi”, ou sabe quem foi John Madden, ou lembra de “Crash”. Com “Green Book”, no ano que vem, ocorrerá o mesmo.

Foto: Cena filme Greenbook.
Foto: Cena filme Greenbook.

Mas como aconteceu novamente? Como um filme travestido de antirracista, e absolutamente racista, pôde enganar muita gente? E isso mesmo após os escândalos que se seguiram, com a família do personagem negro do filme estar processando os produtores por calúnias e mentiras. E também com o ator Mahershala Ali, já estigmatizado pela indústria como ator-para-personagens-negros-gays, publicamente pedindo desculpas à família do músico de jazz que ele interpreta no filme, Dr. Don Chealey.

Como aconteceu novamente? É o que se perguntam, desde a manhã desta segunda-feira, veículos especializados em consonância com esta coluna, como o Los Angeles Times. Abaixo, lista-se alguns dos motivos.

“Green book” é, na linguagem contemporânea, um filme “passa-pano”. E, infelizmente, adoramos passar um pano. Brancos não costumam perceber filmes antirracistas disfarçados. Simplesmente porque não são negros. É querer fazer com que um homem entenda a extensão de uma cólica menstrual.

O sistema de “voto preferencial” do Oscar
Um sistema bastante excêntrico, exclusivo para a categoria de melhor filme, permite que um filme mais votado para vencer o Oscar o perca para o filme que foi mais votado para ser terceiro lugar, por exemplo, caso este terceiro tenha recebido mais notas medianas que o primeiro.

Ou seja: se o filme que levar mais notas altas for polêmico e, ao mesmo tempo, receber também muitas notas baixas, perde. E aí ganha o filme com mais notas médias. Ou seja, a mediocridade é premiada. “Green Book”, fantasiado de filme fofo, sobre a amizade, acabou levando tanta nota média que terminou vencendo filmes que receberam massivamente notas melhores que ele. Até mesmo quem dele gostou sabe que ele não é brilhante.

A falta de senso histórico dos novos votantes da Academia
Preocupada com a mente conservadora dos velhinhos acadêmicos, empossou-se uma enorme quantidade de jovens votantes entre os 35 e 45 anos. Gente fã do Queen (quem não é?), gente capaz de dar a “Bohemian Rhapsody” mais Oscars que deram ao clássico “O Poderoso Chefão” (4 a 4, respectivamente), e gente que não simpatiza com filmes de época, como “A favorita”, ou não vê a hegemonia mexicana nos últimos anos como ameaça, como “Roma”, e não quer ser meter com filmes incendiários, como “Infiltrado na Klan”.

Havia uma tensão no ar, meses atrás, com a possibilidade de premiar um filme de Spike Lee. Um sujeito com um talento incendiário e capaz de mudar a situação dos negros norte-americanos. O que seria, via de regra, reconfigurar a dos brancos. Pior, morriam de medo do que Spike Lee poderia falar se a ele fosse dado o microfone.

Spike Lee tem certo desprezo pelos Oscars porque sabe que funcionam um tanto como festa da firma (da qual ele não faz parte nem é bem-vindo). O diretor já ignorou o Oscar algumas vezes, preferindo se deixar fotografar vendo um jogo de basquete no horário da cerimônia, e um ressentimento por seu inesquecível e até hoje fundamental “Faça a Coisa Certa”, de 1989, ter perdido o Oscar para o também falso antirracista, e já esquecido, “Conduzindo Miss Daisy”. O filme, como “Green Book”, feito para espectadores brancos sentirem-se menos racistas. Consciente, Spike soltou a grande frase da noite: “Por favor, não desliguem o microfone”.

No mais, é de se lamentar que muitos admiradores de Roma não entendam a diferença entre estética da fome e cosmética da fome (quando a pobreza é fotografada como comercial de margarina, deixando tudo bonito para que expiemos nossa culpa inconsciente por não fazer nada de fato para mudar o contexto). “Roma” era “o candidato da indústria”, o “candidato dos poderosos”, leia-se streaming.

O filme mexicano custou US$ 15 milhões à Netflix, que investiu escandalosos R$ 25 milhões na campanha de marketing para que o filme ganhasse Oscars. No ano que vem tentarão novamente, desta vez de modo mais agressivo. Gastarão US$ 130 milhões só para produzir “The Irishman”, novo filme do Scorsese, com De Niro, Joe Pesci e Al Pacino. E mais uns US$ 200 milhões em merchandising para o Oscar 2020.

É de se comemorar o Oscar recebido não só por Spike Lee, que vinga Kubrick e Hitchcock, recebendo ao menos um prêmio em vida. E dois prêmios de “Pantera Negra”: figurino e direção de arte, dois ambientes tão dominados por brancos em todo mundo, que meninas negras tendem a desistir do ofício antes de começar.

Com a premiação justa do trabalho primoroso e revolucionário da dama Ruth E. Carter (figurino) e Hanna Beachler (diretora de arte) no filme da Marvel, um mundo se abre para todas as raças – apesar de a raça que parece insistentemente prevalecer neste mundo não estar disposta a abrir mão de seus privilégios, mesmo quando a competência é indiscutível.

Confira abaixo a lista completa dos vencedores:

  • MELHOR ATOR COADJUVANTE

Mahershala Ali, Green Book – O Guia

Adam Driver, Infiltrado na Klan

Sam Elliot, Nasce uma Estrela

Richard E. Grant, Poderia me Perdoar?

Sam Rockwell, Vice

  • MELHOR MAQUIAGEM

Border

Vice

Duas Rainhas

  • MELHOR FIGURINO

A Balada de Buster Scruggs

Pantera Negra

A Favorita

O Retorno de Mary Poppins

Duas Rainhas

  • MELHOR DOCUMENTÁRIO

Free Solo

Hale County this Morning, This Evening

Minding the Gap

RBG

Of Fathers and Sons

  • MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Pantera Negra

Bohemian Rhapsody

O Primeiro Homem

Um Lugar Silencioso

Roma

  • MELHOR MIXAGEM DE SOM

Pantera Negra

Bohemian Rhapsody

O Primeiro Homem

Roma

Nasce Uma Estrela

  • MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

Pantera Negra

A Favorita

O Primeiro Homem

O Retorno de Mary Poppins

Roma

  • MELHOR FILME EM LÍNGUA ESTRANGEIRA

Cafarnaum, Líbano

Guerra Fria, Polônia

Nunca Deixe de Lembrar, Alemanha

Roma, México

Assunto de Família, Japão

  • MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Amy Adams, Vice

Marina de Tavira, Roma

Regina King, Se a Rua Beale Falasse

Emma Stone, A Favorita

Rachel Weisz, A Favorita

  • MELHOR CURTA ANIMADO

Comportamento Animal

Bao

Fim de Tarde

Um Pequeno Passo

Weekends

  • MELHOR ANIMAÇÃO

Os Incríveis 2

Ilha dos Cachorros

Mirai

WiFi Ralph: Quebrando a Internet

Homem-Aranha no Aranhaverso

  • MELHORES EFEITOS VISUAIS

Vingadores: Guerra Infinita

Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível

O Primeiro Homem

Jogador Nº 1

Han Solo – Uma História Star Wars

  • MELHOR MONTAGEM

Infiltrado na Klan

Bohemian Rhapsody

A Favorita

Green Book – O Guia

Vice

  • MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA METRAGEM

Black Sheep

A Partida Final

Lifeboat

Uma Noite no Madison Square Garden

Absorvendo o Tabu

  • MELHOR CURTA METRAGEM DE FICÇÃO

Detainment

Fauve

Marguerite

Mother

Skin

  • MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

A Balada de Buster Scruggs

Infiltrado na Klan

Poderia me Perdoar?

Se a Rua Beale Falasse

Nasce Uma Estrela

  • MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

A Favorita

No Coração da Escuridão

Green Book – O Guia

Roma

Vice

  • MELHOR FOTOGRAFIA

Guerra Fria

Roma

Nasce Uma Estrela

A Favorita

Nunca Deixe de Lembrar

  • MELHOR TRILHA SONORA

Pantera Negra

Infiltrado na Klan

Se a Rua Beale Falasse

Ilha dos Cachorros

O Retorno de Mary Poppins

  • MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“All The Stars”, Pantera Negra

“I’ll Fight”, RBG

“Shallow”, Nasce uma Estrela

“The Place Where Lost Things Go”, O Retorno de Mary Poppins

“When A Cowboy Trades His Spurs For Wings”, A Balada de Buster Scruggs

  • MELHOR DIREÇÃO

Spike Lee, Infiltrado na Klan

Paweł Pawlikowski, Guerra Fria

Yorgos Lanthimos, A Favorita

Alfonso Cuáron, Roma

Adam McKay, Vice

  • MELHOR ATOR

Christian Bale, Vice

Bradley Cooper, Nasce Uma Estrela

Willem Dafoe, No Portal da Eternidade

Rami Malek, Bohemian Rhapsody

Viggo Mortensen, Green Book – O Guia

  • MELHOR ATRIZ

Yalitza Aparicio, Roma

Glenn Close, A Esposa

Olivia Colman, A Favorita

Lady Gaga, Nasce Uma Estrela

Melissa McCarthy, Poderia me Perdoar?

  • MELHOR FILME

Pantera Negra

Infiltrado na Klan

Bohemian Rhapsody

A Favorita

Green Book – O Guia

Roma

Nasce Uma Estrela

Vice

Fonte: Texto extraído do G1 e Catraca Livre

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