Resenha: O sol é para todos, da Harper Lee

O sol é para todos” (título original To Kill a Mockingbird) foi o primeiro e maior grande sucesso da escritora norte-americana Harper Lee (1926-2016). Considerado uma obra-prima do século 20 por seu retrato da injustiça racial na era da depressão no sul dos Estados Unidos, foi lançado em 1960 e até hoje vende mais de um milhão de cópias por ano em língua inglesa.

O livro traz uma história atemporal que fala sobre tolerância, perda da inocência e confronto de injustiças, raciais e sociais.

Ele se tornou um dos mais importantes romances do século XX e é leitura referencial e obrigatória nas escolas dos Estados Unidos. O racismo percorre toda a narrativa do livro. A autora foi muito delicada ao escolher contar essa história pelo olhar de uma criança de seis anos, Scout, filha do advogado branco Atticus Finch, responsável pela defesa de um homem negro acusado INJUSTAMENTE de violentar uma moça branca da cidade fictícia Maycomb, no Alabama.

Livro O sol é para todos. Foto: Juh Oliveira
Livro O sol é para todos. Foto: Juh Oliveira

Mas para quem pensa que o livro se passa dentro de um tribunal, como eu pensava, isso não ocorre. O julgamento do negro Tom Robinson acontece apenas na segunda parte da narrativa.

Nos primeiros capítulos vamos acompanhar as aventuras, travessuras e brincadeiras de Scout, de seis anos, de seu irmão Jen, de nove, e do novo amigo Dill, que vem passar as férias em Maycomb e se junta à dupla.

Próximo à casa de Scout mora um rapaz solitário e recluso chamado Boo Radley, que nunca sai de casa, que se quer aparece na janela. Por conta de sua discrição e timidez, as crianças têm muita curiosidade em descobrir porquê ele se esconde. Elas acreditam que ele seja um assassino ou pessoa misteriosa capaz de fazer mal aos outros. Mesmo tendo medo, vivem rodeando a casa do jovem, espreitando pela cerca e janela na tentativa de ver ou descobrir alguma coisa.

É importante destacar que o advogado Atticus Finch é uma figura paterna forte. Viúvo há alguns anos, ele cria os filhos com a ajuda de uma empregada/governanta negra, que é rígida e assume o papel de mãe das crianças, dando broncas e educando-as dentro de suas possibilidades e limitações. Além disso, Atticus é muito respeitado na cidade e na vizinhança por ser um homem íntegro e um advogado renomado.

O livro vendeu aproximadamente 30 milhões de cópias no mundo todo e venceu o Pulitzer em 1961, prêmio norte-americano que é dado a pessoas que realizem trabalhos de excelência na área do jornalismo, literatura e composição musical.

Livro O sol é para todos. Foto: Juh Oliveira
Livro O sol é para todos. Foto: Juh Oliveira

“O sol é para todos” também inspirou um longa-metragem lançado dois anos depois, em 1962, dirigido por Robert Mulligan e estrelado por Gregory Peck.  Produzido em preto e branco e com duração de duas horas, ele alcançou grande sucesso. Foi indicado a oito estatuetas do Oscar, entre elas por melhor fotografia PB, melhor direção e trilha sonora, levando três delas: melhor ator para Gregory Peck; melhor roteiro adaptado e melhor direção de arte.

Capa: Vá, coloque um vigia. Foto: Divulgação.
Capa: Vá, coloque um vigia. Foto: Divulgação.

Em 2015, “Vá, coloque um vigia”, o segundo livro da autora Harper Lee, teve a maior pré-venda dos EUA desde “Harry Potter”, com 1,6 milhão de exemplares vendidos em papel. Editado pela editora Harper Collins, põe em cena, 20 anos mais tarde, os mesmos personagens do primeiro livro. Mas ao que tudo indica, a publicação desse livro não foi por escolha ou “autorização” da autora.

Em fevereiro de 2016, Harper Lee nos deixou aos 89 anos. Ela morava em uma casa de repouso em sua cidade natal no Alabama e sofria de deficiências visuais e auditivas.

 

Para conferir a resenha em vídeo que fiz para o canal em janeiro de 2018, basta assistir abaixo:

Deixe uma resposta